Tuesday, October 31, 2006

A Primeira Palavra que em Toda a Minha Vida me Esgotou o Ser

Uma palavra. Disse-a. Amo-te - uma palavra breve. Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se aguentarem na sua rede aérea de sons. Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora - onde está? Como se desfez? Ou não desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fracção de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si? Uma palavra. Recupero-a agora na minha imaginação doente. Amo-te. Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura. Frágil de névoa. Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido. Uma palavra. A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder. Ao princípio era a palavra. Eu a soube. E nada mais houve depois dela.
Vergílio Ferreira, in 'Para Sempre'
Passado não é Cronologia

O passado é um labirinto e estamos nele, um passado não tem cronologia senão para os outros, os que lhe são estranhos. Mas o nosso passado somos nós integrados nele ou ele em nós. Não há nele antes e depois, mas o mais perto e o mais longe. E o mais perto e o mais longe não se lê no calendário, mas dentro de nós.
Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

A Solidão em Perspectiva

É exactamente porque não há solidão que dizes que há solidão. Imagina que eras o único homem no universo. Imagina que nascias de uma árvore, ou antes, porque eu quero pôr a hipótese de que não há árvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: supõe que o universo é só o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres «eu estou sozinho»? Para pensares em «eu» e em «sozinho» tinhas de pensar em «tu» e em «companhia». Só há solidão «porque» vivemos com os outros...
Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

Thursday, October 26, 2006


Não gosto nada quando ando como toda a gente diz "nas nuvens", e de um momento para o outro sinto que sou dominado por uma melancolia, uma tristeza enorme, daquelas que quando se pensa um pouco mais nela (sim um pouco mais pois ela é tão grande que nunca nos sai do pensamento) até dói...
Sinto-me mesmo um inútil, pois não sei mesmo o que fazer para deixar de sentir isto, só me apetece ficar, não fazer rigorosamente nada...
Hoje acordei assim, já estava há uns dias a pressentir que isto iria acontecer, começo a pensar demais nas coisas que me estão acontecendo, e acho que de pensar tanto é que isto tudo me acontece…
Sinto-me mesmo como um buraco negro, onde tudo o que lá chega desaparece, enfim, onde o TUDO vira NADA...
Odeio não conseguir esconder dos que me rodeiam a tristeza que eu estou a sentir neste momento, nem as "máscaras" funcionam...Queria muito estar sorridente neste preciso momento, conseguindo esconder o que sinto.....
Odeio sentir-me vulnerável como me estou a sentir...

08 de Janeiro de 2006

Wallpaper by The Gift

It’s coming back so fast, that I should fake this alone.
You kept me back so unthinking, that I should fake this alone.
Because your breath is still in me and you shape is
still around and this shallow light won’t let me go, no…
because even if you break my heart and even if you
make things wrong, you will always be the one,
you will always be my love.
I will fight against those walls I will love against those walls,
I will dream against those walls, I can lie against those walls,
or even try to break those walls, I try to fly upon those walls,
I can bring light to your wall again and again against those walls,
I will sleep against those walls, I’ll bet my life to sing my songs…
Estou Cansado - Álvaro de Campos

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Wednesday, October 25, 2006

5 MiNuTeS oF eVeRyThInG... by The Gift
Give me please five minutes of everything
Those days when you wake up
And there's no one by your side
My arm slides slowly to my left side
And to my right side, there's no one there
To kiss you or to hear you
And you go out of bed
Thinking in those days that you need
You used to talk and talk about
And everything that stops your attention
You used to talk, talk about
Everything
Those days when you walk at the bar
And try to keep a conversation with somebody else
And no one out there you could sit down or walk
There's no one there.
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes
I try to call your name
Five minutes of passion
And no one knows the right place to go
No meaning or just self-control maybe
And you walk out of there
You need to talk with somebody else
And to know the problems are waiting for
Outside the doorAre waiting for
The clock won't stop
And even if it stops
Five minutes of love
Five minutes of hate
Five minutes
I try to call your name
Of passion
Five minutes of everything
Of everything
Maybe you want to talk about old questions
Right next to my earBut
I don't care about those silly things
Cause all I need is five minutes of everything
ARE YOU NEAR??? by The Gift
Because everything had to be a happy end
I began to say that nothing is about love
Intelligent and lovely persons, like those films we watched on TV
Intelligent and lovely women, like we watched on TV
Those murders during the night, stupid life, drugs of all kind
Do you wanna see me like them?

So tell me baby please, are you near? Are you near?
So tell me baby please, are you near? Are you near?
So tell me one more time, are you near? Are you near?
So tell me one more time, are you near? Are you near?

Sometimes I know you're not as I wish
And I look at your window, there's a light, something in...
I pass by and buzz around your corner
The telephone rings, you didn't answer... please

So tell me baby please, are you near? Are you near?
I beg you one more time, are you near? Are you near?
Tell me one more time, are you near? Are you near?
So scream at your window and tell me that you're near...

And I wonder if you told me that...
like in "Lost in Translation" - please do that!
They look at those neon lights, the love on their face
And loving all life, loving or lie, just one more lie...

Tell me baby please, are you near? Are you near?
So tell me baby please, are you near?
Cause I don't know, are you near? Are you near?
So open your fucking mouth, are you near?

And I
Love you more
Love you more
Cause you're near
Cause you're near

Saturday, October 21, 2006

Será que existem imortais?
Ser-se imortal é marcar… É deixar que a nossa lembrança nunca cai-a no esquecimento…
Seremos sempre imortais enquanto ser lembrarem de nós…


Não vale a pena expor o que realmente somos, isso apenas nos torna vulneráveis, assim mostramos o nosso lado fraco, e hoje em dia isso é prejudicial…


Não espero nada de ninguém, nem de mim já espero o quer que seja…


As palavras não passam disso, palavras… Por mais vontade, por mais de nós que coloquemos nas palavras, elas não passam de simples palavras…
Não julgo que a palavra seja assim tão forte como apregoam…
Mas acredito que se a palavra estiver associada a um acto a uma acção a uma tomada de iniciativa, aí ela é forte…
O que importa é agir….
Fazer o quer que seja…
E eu não faço, eu sou só palavras…


20 de Janeiro de 2006
Porque será que existe gente que tenta racionalizar o que sente e outros que tentam sensibilizar o que pensam?
A minha dúvida é se somos capaz de pensar com o coração, ou sentir com a cabeça?
A César o que é de César. No coração só cabem os sentimentos, e na cabeça os pensamentos.
Trocando-lhes a origem, ou deslocando-os de um lado para o outro, temos tendência a complicar o que por vezes é simples…
Não há nada mais simples que sentir por exemplo, os sentimentos por vezes são matemáticos, pois amor é amor, ódio será sempre ódio, e o que pensamos é somente isso, pensamentos…
Ou será que por vezes confundimos pensamentos com sentimentos e vice-versa?

25 de Janeiro de 2006
What if.. By Coldplay

What if there was no light
Nothing wrong, nothing right.
What if there was no time?
And no reason or rhyme.
What if you should decide
That you don't want me there by your side.
That you don't want me there in your life.

What if I got it wrong, and no poem or song
Could put right what I got wrong
Or make you feel I belong
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life.

Oooh, that's right
Let's take a breath and jump over the side
Oooh, that's right
How can you know it if you don't even try
Oooh, that's right

Every step that you take
Could be your biggest mistake
It could bend or it could break
But that's the risk that you take
What if you should decide
That you don't want me there in your life.
That you don't want me there by your side.

Oooh, that's right
Let's take a breath jump over the side
Oooh, that's right
How can you know it when you don't even try
Oooh, that's right
OoohOooh, that's rightLet's take a breath jump over the side
Oooh, that's right
You know that darkness always turns into light
Oooh, that's right
ELOGIO DO AMOR



Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

por Miguel Esteves Cardoso

Wednesday, October 18, 2006



Não tenho nadaaaaaaaa, mas tenho tenho tuuuuudooooooooooooooo!!!

Ok, ok, já sei que estou desafinado e que não sei a letra toda...

Mas, bem... Pois... Ao que o nosso povo chega, comentários para quê?

Pensando melhor, isto até tem uma certa lógica de marketing. Já estou a ver "Bolachas sortidas O Emplastro" cobertas com o melhor caramelo de Badajoz, colam-se ás mãos, á roupa, e ao céu da boca....

P.S. - Ò Emplastro desculpa lá pá... estive mal agora, mas foste o único que me veio á cabeça...

18 de Outubro de 2006

Tuesday, October 17, 2006

DUELO AO SOL



Tenho o sol
Puro sol
Em frente o som
De agua a bater
Tenho o azul
Calmo azul
Que nunca soube dizer
Mergulho os olhos no mar
Talvez não queira voltar

Explode o som
Puro som
E o tempo cai
Perto do fim
Limite qu’eu já
Quis um dia ter em mim
Se aqui estivesses diria
Tenho tudo o quanto queria

Mas é
Tão estranho
Todo este mar parece avançar pr’a ti
Sim é
Tremendo
Todo este azul ergue-se e chama por ti

Tenho o sol
Puro sol
E o vento vem
Levemente tocar
O azul, o fim de tarde em mim
Talvez já não queira voltar
Se aqui estivesses diria
Tenho tudo quanto queria

Mas é
Tão estranho…..

by Xana

Monday, October 16, 2006


MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA I
Também
Eu já
Senti não haver
Lugar ou espaço
Esperança p’ra ter

Também
Eu sei
Da raiva a nascer
Por tantos gritos
Ter que conter

Mas sei
Também
Que fora de nós
Não há salvação
Resta-nos então
Dar asas ao que se inventa

Finge
Esquece
Engana o desencanto
Brinda por ti
Por hoje e por enquanto

Também
Eu já
Estive sozinha
Entre tanto fel
Erva daninha

Mas vi
Também
Que fora de nós
Não há salvação
Resta-nos então
Dar asas ao que se inventa

Finge
Esquece
Engana o desencanto…..
by Xana

Friday, October 13, 2006

Teoria da Laranja


E um dia eu pensei que as amizades eram como laranjas, ah e tal, sim, laranjas. Em que se corta a laranja a meio e troca-se de metade com a outra pessoa em questão…
Ora depois de existir essa troca de metades do fruto em questão, passamos á fase de espremer o citrino, que é apenas usufruir, aproveitar da relação, da convivência, do que a outra pessoa nos tem para dar…
Mas chega sempre um dia que o sumo acaba…em que por muito que se esprema nada mais saí…
É triste quando queremos sempre mais dessa pessoa e se espreme demais, ou rápido demais a dita metade…Pois quanto mais rápido se espreme, mais depressa o sumo vai... (isto também se aplica ás laranjas sumarentas e grandes, até nas que são alteradas geneticamente).
E como fazer isso tudo prolongar-se? Fazer com que nada acabe subitamente, quando menos se esper? Sinceramente não sei, gostaria muito de saber porque é que quando mais se está a tirar proveito da nossa metade, a outra que demos à outra pessoa acaba? Ou até mesmo a nossa metade, a que temos em nossa posse acaba sem nos aperceber-mos? Eu não sei o que fazer nessa situação. Queria saber, mas não sei…
E tenho pena de me ter apercebido que não é só nas amizades que isto acontece…
“Tanta coisa me assola o pensamento… penso em e sinto em demasia…”


"Sempre pensei e penso que nós como nascemos sozinhos, iremos acabar sozinhos, por muito que se queira companhia, e o Homem sendo o ser social que se aprende na escola como eu aprendi, eu acredito que no meio da sociedade estamos e estaremos sempre sozinhos."


“Por vezes arrependo-me tanto de guardar as coisas para mim, e não deixar transparecer o que estou a sentir no momento, por vezes por receio, de como os que me rodeiam possam reagir. Ou por medo de desiludir..... Ultimamente é por receio de desiludir, de talvez me mostrar um pouco mais frágil do que devia, pois normalmente um homem não se quer frágil, nem sentimental…
E por não querer-me mostrar assim frágil tomei as atitudes que tomei…
Ás vezes reflicto e quero voltar atrás…
Mas o caminho melhor não é voltar atrás…”


“Sinto-me um inútil…
Que estou aqui a fazer?”


“Porque dou valor e quero aquilo que não tenho?”


“Relembro constantemente palavras que me falaram no passado.
As quais eu pensava, que poderiam não ser eternas, mas também não me passava pela cabeça que fossem tão efémeras, tão breves…
Pelo menos elas ainda estão na minha memória, e guardo-as religiosamente, não as quero esquecer por nada deste mundo.
Quero lembrar tudo como se tivesse sido ontem…”

19 de Janeiro de 2006

Wednesday, October 11, 2006

Justificação

Tenho por norma ser um curioso nato, mas mesmo muito curioso, por vezes perguntam-me se ainda estou na idade dos porquês. Isto acontece mais quando me respondem a qualquer coisa com um “porque sim” ou um “porque não”.
Porque sim….
Porque não….
Por vezes estas respostas deixam ainda mais curioso, e também porque por vezes eu tenho a mania (mas só por vezes) de pensar que para tudo tem que existir uma justificação, por mais estapafúrdia que essa seja.
Mas tenho que me render ás evidencias, e nem tudo tem justificação.
E vendo bem as coisas por vezes o que tem de mais bonito é acontecerem sem se esperar, sem justificação, assim até se aproveita melhor…
Apenas porque sim…..
11 de Outubro de 2006

Monday, October 09, 2006


PARABÉNS A TU BURRA!!!!!!!
Ok, este é um post estúpido eu sei, mas não podia deixar esta data passar em branco, esta foto em cima era quando a burra veio para as minhas posses e eu tive a domestica-la....
E hoje passado tanto tempo, muito mesmo, ela passou a fasquia dos 500 km ( leia-se quinhentos quilometros) comigo em cima dela.
Os meus parabéns para ela.... Estou muito orgulhoso dela...
Burra és a maior, a melhor e a mais forte para aguentares com um balofo como eu em cima...
Tenho vontade de gritar, esbracejar, fazer algo de bonito, que marque alguém, só que, bem, não é falta de coragem, sei apenas que seria um desperdício de tempo.
Não encontro razão em estar a fazer o quer que seja quando já de antemão sei que isso não vai fazer com que alguma coisa mude…
Já me cansei…. Já passou o meu tempo de correrias desenfreadas, o tempo de tentar agarrar tudo aproveitar cada segundo que passa, o tempo em que tentava-me recordar de cada momento, e guardar tudo…
Agora deixo-me estar... Sou mais um dos que deixam tudo passar, sou do género que diz:”Que se lixe! Não estou para isso. Isso já não é a minha guerra…”
Sou mais um que espera que o dia acabe, que o fim do mês chegue, e que o fim chegue, espero apenas, não quero fazer mais nada….


26de Janeiro de 2006

Esta é a arma do crime!!!!! ;)

E onde é que fica Alfragide??


Como eu sofro de um mal que sofre muita gente, que é ter uma profissão em que tenho pouca actividade física, e porque (e vou ser honesto) não como nada de saudável. E devido a isto, é claro que o pneuzito se começa a evidenciar. Vou voltar a ser honesto, já não vejo os pés com tamanha barriga…
E isto tudo para dizer que eu aderi á moda de andar de bicicleta, o chamado “BTT”, em que se anda a respirar ar puro em cima de uma bicicleta, munido de um capacete, óculos à maneira, uma mochila que leva de beber, e o belo do “calçonito” de Lycra, que diga-se de passagem fica muito bem a um balofo como eu.
E com essa adesão a esta moda, lá vou eu de comprar uma bicicleta, uma bina, uma bike, uma burra, como queiram chamar. E aquando da compra da bicicleta, o senhor vendedor da loja, que eu não digo o nome mas que é tipo um hipermercado de desporto e que o nome começa em “D” acaba em “n” e tem as letras “ecathlo”. Bem já estou a desviar do assunto, como eu ia a dizer o senhor vendedor, foi muito simpático e prestativo e até me disse: “Olhe o senhor daqui a três meses tem direito a uma revisão grátis da bicicleta.”, E eu disse-lhe “ok, muito obrigado…”, e saí com a dita cuja comigo…
É claro que fiquei espantado em saber que as bicicletas também precisam de revisão, mas como eu não entendo nada disso, acredito em tudo que me dizem….
Este mês, lá fez os três meses de prazo, e eu pensei cá para mim: “vou tirar um dia e ah e tal, levo-a ali a cima e eles tratam da bicicleta!!!”.
E assim o fiz, um dia saio todo lampeiro do apartement em que eu estou a dormir aqui no Sul, e levei a bicicleta comigo, e disse para a bicicleta “Linda, como eu não te limpo, pelo menos uma vez alguém te vai limpar…”
Não imaginam, vocês caros telespectadores o que me acontece quando eu chego lá á superfície comercial com a minha companheira de tempos livres.
Chego lá, com a bicicleta pela mão, e viro-me para a menina que estava á entrada e disse-lhe: “Ò menina, eu vinha aqui para me fazerem a revisão á minha bicicleta.”, E a menina muito atenciosa respondeu-me: “Mas, nós não fazemos aqui a revisão!!!!!”
Nessa altura eu arregalei-lhe os olhos e disse: “Não fazem aqui a revisão?”, ao que a menina, atenciosa como sempre disse-me: “Para a revisão, você tem que deixar aqui a bicicleta e nós encarregamo-nos de a levar para Alfragide.”, E eu respondi: “Ahhhhhhhhh, para Alfragide, muito bem, gostei da ideia. Mas quanto tempo é que isso demora, hein?”, e a menina, sempre com uma paciência enorme para me aturar, disse com uma calma do tamanho do mundo:”Ah e tal…. Duas, três semanas. É que ainda temos que esperar uma transportadora que leve a bicicleta, e o camandro….”
Nesta altura eu só pensava:”Bem, não sei bem onde é Alfragide, mas tenho a certeza que é perto daqui, mas três semanas… bem a não ser que a levem primeiro a Espanha e não sei talvez Itália… devem levar a bicicleta a passear de certeza….”
A menina, teve então um rasgo de simpatia ou de inteligência, ou destas duas coisas juntas, e ligou para Alfragide, e disse-me o seguinte:”Ò senhor….olhe, os meus colegas de Alfragide que se o senhor levar lá a bicicleta na quinta-feira, eles tratam dela na hora..”
Aí os meus olhos brilharam, e eu respondi muito amavelmente à menina:”Ah e tal, menina… Muito obrigado, eu vou fazer isso então.”
E saí da tal superfície comercial, senhores telespectadores, saí e só com um pensamento na cabeça: “Eu sei que Alfragide é aqui perto, tenho a certeza disso, mas onde é que raio fica Alfragide? Onde fica Alfragide?”
E segui á minha vidinha……
Caros telespectadores, à data em que escrevo isto, dou-vos conhecimento desde já que, a minha bicicleta se encontra com a revisão feita, até parece nova de tão limpa que está. E que encontrei Alfragide, sim encontrei o caminho para Alfragide, mesmo tendo-me perdido quatro vezes até chegar lá, nem com um mapa….
Tenho andado a pensar, sim eu penso, mas só às vezes!
E é muito engraçado, como tudo muda, tudo se transforma mesmo debaixo do nosso nariz sem nos aperceber-mos disso! Não se aperceber e continuar a viver nem é muito mau, desde que a mudança não mexa muito connosco…
Mau é enxergar que muito mudou, principalmente o que não se queria que muda-se, mau é ver algo que se julgava ter fugir-nos da mão como um punhado de areia… É triste ficar a pensar que está tudo igual, quando nada ficou como era… Dantes…

30 de Agosto de 2005

Se fizéssemos uma comparação, e se a vida fosse uma escada. Seria uma escada em caracol, sempre a subir, em que o topo, seria a perfeição, o nirvana, quase sempre inatingível para os comuns mortais.
Os nossos infortúnios ou os nossos erros seriam as escorregadelas ou tropeções, em que descíamos vários degraus de uma só vez e ficávamos um pouco atordoados dessa queda.
Cá para mim, eu julgo que essa escada, além de ser em caracol, o que por si só já nos deixa um pouco tontos e nos dificulta a subida, acho que os degraus não são sempre certinhos, isto é, não são do mesmo tamanho.
Ora se eles fossem todos certinhos e iguais, a vida era muito fácil, degrau após degrau, era muito mas muito fácil de chegar lá ao topo….
Mas penso que essa escada foi muito mal construída, porque onde é que já se viu uma escada onde por vezes faltam degraus, ou quando os há uns são maiores que os outros?
Mas isso não é o mais grave. O mais grave é que por vezes falta lhe o corrimão. E a falta deste pode ser mais grave que própria falta de degraus. Dado que sem corrimão não existe apoio, apoio esse que por vezes é crucial para uma falta de degrau ou para ajudar a subir um degrau maior. E essa falta por vezes é a maior causa de quedas que pode existir… porque por vezes um corrimão dá muito jeito…..

Algures no Porto, 21 de Abril de 2006
Cinco minutos. O que são cinco minutos?
Ou o que pode acontecer em cinco minutos?
Por vezes cinco minutos podem ser muito tempo, outras vezes cinco minutos passam num piscar de olhos.
Em cinco minutos pode acontecer tudo de bom e também tudo de menos bom...